Família foi comunicada apenas que criança havia “passado mal”; bebê de 1 ano e 4 meses morreu após ficar com a cabeça presa em grade
As mensagens enviadas pela Creche Luz do Brás ao pai de Abdoulaye Dieng, de 1 ano e 4 meses, revelam que a família foi informada apenas que a criança havia “passado mal”, sem qualquer menção à gravidade do acidente que vitimou o bebê na última quarta-feira (22/7), na região central de São Paulo.
De acordo com as trocas de mensagens obtidas pelo Metrópoles, às 9h18, a creche enviou ao pai a seguinte comunicação: “Oie, bom dia. O Abdoulaye passou mal. Estamos levando ele para o hospital.” Em seguida, houve uma ligação de aproximadamente 30 segundos entre a unidade e o responsável.
Logo depois, às 9h19, uma nova mensagem informou apenas o destino: “UBS Mooca, UBS Mooca.” Cerca de 20 minutos mais tarde, o mesmo contato enviou um “Olá” e, às 9h44, perguntou: “Olá, vocês estão indo para a UBS?”, seguido de outra ligação.
O advogado da família, Erson de Oliveira, afirmou que a forma como a notícia foi transmitida deu aos pais a falsa impressão de que o quadro não era grave. “Eles mandaram uma mensagem dizendo que a criança tinha passado mal. Os pais acreditaram que o filho estava passando por um atendimento médico”, declarou. A comunicação também será avaliada durante as investigações.
O acidente e as circunstâncias
Abdoulaye participava de uma atividade recreativa quando colocou a cabeça no espaço entre uma grade e uma parede. Conforme o boletim de ocorrência, a criança ficou presa por aproximadamente sete minutos até ser resgatada pelos funcionários. Ela foi levada à UPA Mooca, mas não resistiu.
Segundo o advogado da família, no momento do acidente, os funcionários estavam reunidos em uma confraternização no refeitório para comemorar o aniversário da diretora — que nasceu em 22 de julho de 1990, mesma data da morte da criança. “Juntou todos os funcionários e largaram as crianças à própria sorte”, afirmou Erson.
A sala onde ocorreu o incidente, utilizada para atividades como ballet, foi interditada para perícia.
Investigação e responsabilidades
O caso foi registrado como homicídio culposo (sem intenção de matar) e é investigado pelo 8º Distrito Policial (Brás). Cinco funcionários estão sob investigação: a diretora, a coordenadora, uma professora, uma pedagoga e outro profissional da instituição.
A Polícia Civil requisitou perícia ao Instituto de Criminalística (IC) e exames ao Instituto Médico-Legal (IML), além de analisar imagens das câmeras de segurança.
A Secretaria Municipal de Educação (SME) informou que instaurou procedimento administrativo para apurar o caso, não confirmou nem negou a confraternização, e afirmou que adotará medidas, incluindo possível descredenciamento da organização responsável, caso irregularidades sejam comprovadas. A pasta também disse prestar assistência à família e oferecer acolhimento a crianças, familiares e funcionários.
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