O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) deve prestar depoimento à Polícia Federal na tarde desta terça-feira (28), no âmbito de um inquérito que apura a suposta prática de calúnia contra o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). A oitiva foi determinada pelo ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), relator do caso.
Na decisão, Moraes destacou que a defesa do parlamentar solicitou o adiamento do depoimento, mas não apresentou documentação que comprovasse a impossibilidade de comparecimento na data inicialmente marcada. Diante disso, o ministro manteve o interrogatório para esta terça-feira.
A investigação teve início após Flávio Bolsonaro publicar, em janeiro, uma mensagem na rede social X em que associava o presidente Lula a crimes como tráfico internacional de drogas e armas, lavagem de dinheiro, apoio a organizações terroristas e ditaduras.
A publicação foi feita após a divulgação da captura do presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, por militares dos Estados Unidos. Na postagem, o senador escreveu: “Lula será delatado. É o fim do Foro de São Paulo: tráfico internacional de drogas e armas, lavagem de dinheiro, suporte a terroristas e ditaduras, eleições fraudadas.”
A frase acompanhava uma montagem com a imagem de Maduro e a manchete: “Governo Lula convoca reunião de emergência após Trump capturar Maduro”.
Após representação do Ministério da Justiça, Alexandre de Moraes determinou a abertura do inquérito em abril, com parecer favorável da Procuradoria-Geral da República (PGR).
Em junho, a Polícia Federal concluiu a investigação afirmando que Flávio Bolsonaro extrapolou os limites da crítica política ao atribuir falsamente crimes ao presidente da República. Segundo o relatório da PF, ao afirmar que Lula “será delatado”, o senador fez referência ao instituto da colaboração premiada, sugerindo que o presidente teria participado dos crimes mencionados na publicação, o que caracterizaria, em tese, o crime de calúnia.
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