O deputado federal Amom Mandel (Republicanos) acionou o Ministério Público Federal (MPF) e o Ministério Público do Amazonas (MPAM) para investigar uma denúncia de cobrança de dinheiro para facilitar alterações no Cadastro Único e o acesso ao Bolsa Família em Manaus.
Segundo a denúncia apresentada pelo parlamentar, uma mulher teria sido abordada e cobrada em R$ 300 para atualizar o cadastro e tentar obter o benefício. Ela não realizou o pagamento. Em uma segunda abordagem, feita pelo gabinete de Amom, o mesmo suspeito teria reduzido o valor para R$ 180.
A conversa foi gravada e apresentada pelo deputado. Durante a ligação, o homem afirmou trabalhar em um Centro de Referência de Assistência Social (CRAS) e disse contar com um “colega” responsável por realizar atualizações cadastrais.
Ainda segundo a denúncia, o suspeito teria orientado que a renda declarada no Cadastro Único ficasse entre R$ 110 e R$ 120. Em determinado momento da conversa, ele teria questionado: “Tu não quer ser ajudada?”
O homem também teria pedido sigilo sobre a negociação e afirmado trabalhar com mais de 400 famílias.
Suspeito seria servidor municipal
De acordo com Amom Mandel, o suspeito seria servidor da Secretaria Municipal da Mulher, Assistência Social e Cidadania (Semasc) e atualmente estaria lotado na Divisão de Serviços Funerários.
O gabinete do parlamentar informou ainda que o número de telefone utilizado nas conversas teria sido indicado como chave Pix para o recebimento dos valores.
Pedido de investigação
Na representação encaminhada aos Ministérios Públicos, Amom solicita que sejam identificadas outras pessoas que possam estar envolvidas na suposta prática, além do número de famílias que eventualmente teriam sido abordadas.
O deputado também pede uma auditoria nos cadastros do Cadastro Único para verificar possíveis alterações irregulares e identificar outras famílias que possam ter sido vítimas do esquema.
Outro pedido é a análise dos registros de acesso ao sistema, com a identificação dos responsáveis pelas alterações, datas em que foram realizadas e informações modificadas.
O MPF deverá avaliar possíveis repercussões criminais, administrativas e patrimoniais dos fatos. Já o MPAM foi acionado para apurar eventuais responsabilidades no âmbito da estrutura municipal e possíveis falhas de fiscalização nos CRAS.
As denúncias ainda serão apuradas pelos órgãos competentes, e a eventual responsabilidade dos envolvidos dependerá do resultado das investigações.
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