O candidato à Presidência da República Renan Santos (Missão) protocolou no Senado Federal dois pedidos de impeachment contra os ministros Alexandre de Moraes e Dias Toffoli, do Supremo Tribunal Federal (STF). As denúncias foram apresentadas na quarta-feira (2) e têm como fundamento suspeitas relacionadas ao caso Banco Master e ao banqueiro Daniel Vorcaro.
Nos documentos, Renan sustenta que as condutas atribuídas aos ministros, caso sejam comprovadas, podem configurar crime de responsabilidade previsto na Lei nº 1.079/1950. O dispositivo citado trata, entre outras hipóteses, de comportamento considerado incompatível com a honra, a dignidade e o decoro das funções exercidas por integrantes do Supremo.
No pedido contra Alexandre de Moraes, são mencionados contratos envolvendo o Banco Master e o escritório de advocacia de Viviane Barci de Moraes, esposa do ministro. A denúncia também cita mensagens encontradas pela Polícia Federal no celular de Daniel Vorcaro que teriam sido destinadas a um contato identificado como “Alexandre de Moraes”. Segundo o documento apresentado ao Senado, um dos conjuntos de contratos envolvendo o escritório alcançaria R$ 129 milhões.
Renan afirma que os elementos levantados precisam ser investigados para esclarecer se houve algum tipo de favorecimento ou compartilhamento indevido de informações. O próprio pedido ressalta que essas são suspeitas que ainda dependem de confirmação.
O escritório Barci de Moraes, conforme manifestação reproduzida na denúncia, afirmou que não havia previsão de atuação perante o STF no contrato e sustentou que Alexandre de Moraes nunca julgou processos envolvendo o Banco Master.
Já a denúncia contra Dias Toffoli concentra-se nas relações financeiras envolvendo o resort Tayayá, no Paraná. Segundo o pedido, fundos relacionados a pessoas e empresas ligadas a Vorcaro teriam destinado pelo menos R$ 35 milhões ao empreendimento, do qual Toffoli teria mantido participação societária por meio de uma empresa constituída com seus irmãos.
Renan questiona a compatibilidade dessas operações com a atuação do ministro, especialmente porque Toffoli foi relator do inquérito relacionado ao Banco Master no Supremo. O ministro deixou a relatoria em fevereiro de 2026. Segundo informações registradas na própria denúncia, Toffoli declarou ter recebido dividendos da empresa familiar, mas negou ter recebido pagamentos diretamente de Daniel Vorcaro.
Nos dois pedidos, Renan solicita que o Senado receba as denúncias, constitua comissão especial e, posteriormente, instaure os processos de impeachment. Também pede que sejam requisitados à Polícia Federal e à Procuradoria-Geral da República documentos e elementos obtidos nas investigações sobre o Banco Master.
A apresentação dos pedidos, porém, não significa que os processos de impeachment tenham sido abertos. As denúncias ainda precisam passar pela análise e tramitação no Senado. Caso sejam admitidas e as acusações consideradas procedentes ao final do processo, Renan pede a perda dos cargos e a inabilitação dos ministros para o exercício de função pública pelo período previsto em lei.
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