Funcionários dos Correios cruzam os braços em greve nacional

Brasil

Trabalhadores dos Correios entraram em greve por tempo indeterminado em todo o país. A paralisação foi aprovada em assembleias realizadas na noite de quinta-feira (10) e começou às 22h, após a categoria rejeitar a proposta apresentada pela empresa durante as negociações da campanha salarial.

Segundo a Federação Interestadual dos Empregados da Empresa Brasileira de Correios e Telégrafos (Findect), a decisão ocorreu depois de sucessivas rodadas de negociação e tentativas de mediação no Tribunal Superior do Trabalho (TST), sem que as partes chegassem a um acordo.

Por que os trabalhadores entraram em greve?

Um dos principais pontos de divergência está relacionado ao plano de saúde dos empregados, aposentados e dependentes.

Os trabalhadores são contrários à proposta de mudança na condição dos Correios como mantenedores do plano de saúde. Para a categoria, a alteração pode comprometer a forma de custeio e a garantia da assistência médica.

Além da questão do plano de saúde, a greve ocorre no contexto das negociações da campanha salarial. A categoria rejeitou a proposta apresentada pela estatal e decidiu pela paralisação após as negociações terminarem sem acordo.

Os Correios, por sua vez, afirmam que apresentaram uma proposta que contempla 78 das 80 cláusulas do acordo coletivo vigente, além de reajuste correspondente a 100% do INPC sobre salários e benefícios e manutenção da assistência à saúde.

Correios dizem que vão tentar manter entregas

Em nota, os Correios informaram que adotaram um Plano de Continuidade de Negócios para reduzir os impactos da paralisação aos clientes.

Entre as medidas anunciadas estão o remanejamento de equipes, o reforço das atividades operacionais e a adoção de ações logísticas específicas para tentar preservar a regularidade das entregas em todo o país.

A estatal também afirmou que permanece aberta ao diálogo com os trabalhadores e que busca garantir a continuidade dos serviços postais durante o período de greve.

Greve acontece em meio a crise financeira

A paralisação ocorre em um momento delicado para os Correios. A empresa registrou prejuízo de R$ 5,6 bilhões no primeiro semestre de 2026, em meio a um processo de reestruturação financeira.

A estatal também solicitou ao Tesouro Nacional uma garantia para contratar um novo empréstimo de R$ 7 bilhões com bancos privados. A operação faz parte das medidas adotadas para tentar reequilibrar as contas da empresa.

Enquanto a greve não chega ao fim, a expectativa é de que trabalhadores e empresa retomem as negociações para tentar chegar a um acordo e encerrar a paralisação.

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