Congresso anula veto de Lula e autoriza repasses públicos a estados e cidades no período eleitoral
O Congresso Nacional derrubou, nesta quinta-feira (21), o veto do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) que proibia a realização de doações de bens, valores e benefícios por parte do poder público a estados e municípios nos três meses que antecedem as eleições.
A justificativa de Lula para o veto era de que a medida feria a Constituição e o interesse público, ao criar uma exceção à norma permanente da Lei Eleitoral — que tradicionalmente veda esse tipo de transferência em período eleitoral para evitar o uso da máquina pública em favorecimento a candidatos.
A regra aprovada pelo Congresso no fim de 2025, e agora restaurada, permite que o poder público continue fazendo doações mesmo durante a campanha eleitoral, desde que o beneficiário assuma alguma contrapartida.
Organizações de monitoramento do uso de recursos públicos, como a Transparência Brasil, alertam que o dispositivo pode abrir brecha para que parlamentares direcionem emendas a órgãos federais — como a Codevasf — que, por sua vez, repassem bens a municípios, caracterizando doações indiretas em período eleitoral.
Outros vetos derrubados
Além desse, os parlamentares também anularam:
- Veto à proibição de transferir recursos e firmar convênios com municípios inadimplentes de até 65 mil habitantes. O governo argumentava que a exigência de adimplência fiscal já está prevista na Lei de Responsabilidade Fiscal.
- Dois vetos sobre infraestrutura de transporte: um que impedia a União de destinar verbas para construção e manutenção de rodovias estaduais e municipais (desde que voltadas à conexão entre meios de transporte ou ao escoamento produtivo); outro que estendia a mesma lógica à malha hidroviária. O Executivo havia vetado sob a justificativa de que as exceções ampliariam demais a competência da União e descaracterizariam programas orçamentários.
Próximos passos e reações
Os trechos agora aprovados seguem para promulgação. O presidente tem 48 horas para promulgar os dispositivos; caso não o faça, a tarefa caberá ao presidente do Senado, Davi Alcolumbre.
A deputada Érika Kokay (PT-DF) defendeu o governo, destacando os repasses feitos a municípios na gestão Lula, como R8,7bilho~esparacompensarperdasdeICMSeR 4,7 bilhões para o Fundo de Participação dos Municípios. Já a deputada Bia Kicis (PL-DF) criticou a gestão petista e defendeu a derrubada dos vetos como forma de beneficiar a população.
O deputado Chico Alencar (PSOL-RJ) se posicionou contra a anulação, classificando a medida como “antirrepublicana” e alertando para o risco de legalização da compra de votos. “Isso é uma vergonha que o Congresso Nacional não pode aprovar”, afirmou.
Com a decisão, o governo federal poderá novamente transferir recursos a estados e municípios durante a campanha eleitoral e também investir em estradas e hidrovias estaduais e municipais — algo que parlamentares avaliam como essencial para o escoamento da produção agropecuária e a integração logística do país.
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