O Brasil despediu-se, nesta terça-feira (7), de um de seus maiores contadores de histórias. Benedito Ruy Barbosa, autor de novelas que marcaram gerações e se tornaram verdadeiros fenômenos culturais, faleceu aos 95 anos na cidade de São Paulo.
Internado no Hospital HCor, o dramaturgo não resistiu a complicações decorrentes de uma insuficiência renal crônica, condição que enfrentava há cerca de três anos. A confirmação do falecimento foi feita pela assessoria do hospital à revista Quem.
O adeus ao autor acontece na mesma data de seu falecimento. O velório, aberto ao público, será realizado no Funeral Home, na região da Avenida Paulista, entre 15h e 16h desta terça-feira.
Uma vida dedicada à dramaturgia
Nascido em 17 de abril de 1931, no interior paulista, Benedito Ruy Barbosa construiu uma trajetória de superação. Filho mais velho de cinco irmãos, perdeu o pai ainda criança e precisou trabalhar cedo para ajudar a família. Sua vida de garoto-problema, passando por subempregos como auxiliar de escritório, feirante e faxineiro, moldou o olhar sensível para as histórias do povo brasileiro que mais tarde o consagraria.
Sua estrada como escritor começou no interior do Paraná, onde escreveu o romance Fogo Frio. A obra, adaptada para o teatro em 1959, foi seu primeiro grande sucesso e o abriu as portas para o mundo da comunicação, passando por redações de jornais e agências de publicidade até encontrar seu lugar definitivo na televisão.
Da Tupi à Globo: uma trajetória de sucessos
Benedito circulou por diversas emissoras, como Tupi, Excelsior, Record, Bandeirantes e Manchete, mas foi na TV Globo que viveu seus maiores triunfos. Sua carreira na emissora, iniciada em 1976 com O Feijão e o Sonho, consolidou-se no horário das 18h com clássicos como Cabocla (1979) e Sinhá Moça (1986).
Sua parceria com a TV Manchete rendeu o estrondoso sucesso de Pantanal (1990), uma novela que, anos depois, ganharia um remake igualmente celebrado na Globo. De volta à emissora carioca, escreveu outras obras-primas que povoam o imaginário popular, como Renascer (1993), O Rei do Gado (1996), Terra Nostra (1999) e Velho Chico (2016), esta última em parceria com seu neto, Bruno Luperi, dando continuidade ao seu legado.
Legado de família e de histórias
Casado por 56 anos com a atriz Marilene Leonor Barbosa, com quem teve quatro filhos, Benedito viu sua herança artística florescer na família. Sua filha, Edmara Barbosa, e seu neto, Bruno Luperi, seguiram seus passos e colaboraram em tramas de grande sucesso, garantindo que sua escola de narrativa continue viva.
Benedito Ruy Barbosa deixa um Brasil mais rico em memórias afetivas. Suas tramas, que retratavam com profundidade as raízes, os conflitos e a poesia do povo brasileiro, garantiram a ele um lugar imortal no coração do público e na história da televisão nacional.
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