A morte da professora Patrícia Almeida, ocorrida na última semana, acendeu um alerta sobre as condições precárias da Escola Municipal Esmeralda Soares Neves, localizada no bairro Tarumã, zona Norte de Manaus. A suspeita é que a educadora tenha sido vítima da histoplasmose, uma infecção fúngica grave popularmente conhecida como “doença do pombo”, contraída, possivelmente, no ambiente de trabalho.
De acordo com relatos de pais e responsáveis, a unidade de ensino convive há anos com uma infestação de pombos, com fezes e penas das aves espalhadas por salas de aula, telhados, aparelhos de ar-condicionado e, de forma mais alarmante, sobre as caixas d’água que abastecem a escola. Esta condição, denunciada reiteradamente, representa um risco sanitário grave para toda a comunidade escolar.
O caso ganhou ainda mais comoção quando os detalhes do laudo médico de Patrícia Almeida vieram a público. A servidora, que já havia se afastado de suas funções para tratamento, teve a morte atribuída a três fatores interligados: histoplasmose disseminada (a infecção fúngica), aplasia de medula (que compromete severamente a produção de células sanguíneas) e septicemia (infecção generalizada). A combinação desses quadros caracteriza uma emergência médica de altíssima complexidade, demonstrando a letalidade da doença em um sistema imunológico já debilitado.
Em publicações nas redes sociais, os pais expressam indignação e temor. “Quantas vezes esse problema foi visto e nada foi resolvido?”, questiona uma das postagens, ecoando o sentimento de que a negligência com a infraestrutura escolar já dura anos. “Nossos filhos entram nessa escola todos os dias. Os professores trabalham lá todos os dias. Quem garante que amanhã não será outra mãe, outro pai, outro professor ou até mesmo uma criança?”, desabafam os responsáveis, que chegam a pedir a transferência da unidade para um local seguro.
Além dos riscos sanitários, os pais também denunciam outros problemas estruturais que colocam em dúvida a segurança do prédio. A Secretaria Municipal de Educação de Manaus (SEMED) foi procurada para se manifestar sobre as denúncias e as medidas que serão tomadas para sanear a unidade, mas, até o fechamento desta reportagem, não havia retornado o contato. O espaço segue aberto para a manifestação do órgão.
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