Um novo relatório divulgado por Washington colocou o Brasil no centro de uma disputa comercial entre os Estados Unidos e a China. O governo americano acusa cerca de 40 países de facilitarem o transbordo ilegal (transshipping) — uma prática de triangulação comercial usada por Pequim para mascarar a origem de seus produtos e fugir das pesadas taxas de importação dos EUA, que chegam a 50%.
O documento, intitulado “O Grande Esquema do Transbordo” e assinado pelo assessor econômico Peter Navarro, classifica as nações em níveis de envolvimento:
- Nível 2 (Brasil, Turquia, Vietnã, Tailândia, Indonésia e Malásia): O Brasil foi enquadrado na categoria de “Integração Econômica Significativa”. De acordo com o relatório, o país atua como plataforma logística e de produção na América Latina, onde produtos chineses teriam sua origem simularmente alterada por meio de montagens regionais e entrepostos aduaneiros antes de seguirem para o mercado americano.
- Nível 1 (México, Canadá, União Europeia, Japão e Índia): Apontados como “Líderes de Escala Diversificados”, importam grandes volumes de bens chineses devido ao tamanho de suas bases industriais e forte fluxo com os EUA.
- Nível 3 (Camboja, Laos, Myanmar): Classificados como alvos oportunos de menor porte e elos vulneráveis do comércio global.
Segundo as estimativas apresentadas por Washington, essas manobras de desvio tarifário causam prejuízos à economia americana que variam entre US$ 40 bilhões e US$ 300 bilhões ao ano, afetando empregos, arrecadação e o PIB do país.
Integrantes do governo americano endureceram o tom, afirmando que a prática não se trata de uma simples falha burocrática, mas de uma estratégia deliberada, e garantiram que a fiscalização sobre mercadorias trianguladas será intensificada.
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