Prévia da inflação oficial avança 0,62% em maio, acima do esperado pelo mercado, com destaque para a alta na conta de luz e nos alimentos. Em 12 meses, índice chega a 4,64%, rompendo o limite superior da meta do Banco Central.
O IPCA-15 – considerado a prévia da inflação brasileira – registrou alta de 0,62% em maio, segundo dados divulgados nesta quarta-feira (27) pelo IBGE. O resultado representa uma desaceleração em relação a abril (0,89%), mas veio acima da expectativa de economistas consultados pela Reuters, que projetavam 0,53%.
Com isso, o acumulado em 12 meses subiu para 4,64%, ultrapassando o teto da meta perseguida pelo Banco Central – que é de 3,0%, com margem de 1,5 ponto percentual (ou seja, limite de 4,5%). Foi a primeira vez no ano que o indicador supera esse patamar.
Alimentos e energia lideram as altas
Os grupos que mais pesaram no bolso do consumidor em maio foram:
- Alimentação e bebidas: alta de 1,38%
- Habitação (impactado pela energia elétrica): alta de 1,03%
Dentro da alimentação no domicílio, os destaques de alta foram:
- Batata-inglesa: 26,29%
- Tomate: 12,97%
- Leite longa vida: 6,07%
- Carnes: 1,98%
Já a energia elétrica residencial subiu 2,16% – o maior impacto individual do mês – com o acionamento da bandeira amarela (cobrança extra de R$ 1,885 a cada 100 kWh). De janeiro até abril, vigorava a bandeira verde, sem custo adicional.
Transportes é o único grupo com queda
O setor de Transportes registrou deflação de 0,33%, puxado pela queda nos combustíveis (-1,47%), após forte alta de 6,06% em abril. Destaques de recuo:
- Etanol: -2,73%
- Diesel: -2,04%
- Gasolina: -1,32%
O movimento reflete, em parte, medidas do governo para conter os efeitos do conflito no Oriente Médio sobre os preços internos, incluindo subsídios à gasolina e ao diesel.
Serviços seguem pressionados e especialistas alertam para cautela
A inflação de serviços subiu 0,46% – mesma alta do chamado “núcleo” do IPCA-15, que exclui itens mais voláteis. Para analistas, isso mostra que a pressão inflacionária segue disseminada.
“A desaceleração é bem-vinda, mas não traz tranquilidade ao Copom. O contexto ainda é muito influenciado por choques de oferta, como petróleo e clima, com risco de El Niño forte nos próximos meses”, avaliou André Valério, economista sênior do Inter.
O Banco Central reduziu a Selic para 14,5% em abril, mas sinalizou cautela diante das incertezas. A próxima reunião do Copom ocorre ainda este mês.
Pesquisa Focus mais recente projeta IPCA de 2026 em 5,04% e Selic a 13,25% ao final do ano.
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