Empresário antecipou esboço da proposta após ter condições de prisão alteradas; nova versão traz mais nomes e documentos, mas investigadores pedem cautela
O empresário Daniel Vorcaro, ex-controlador do Banco Master, apresentou uma nova proposta de colaboração premiada à Polícia Federal (PF) e à Procuradoria-Geral da República (PGR) após a primeira versão ser rejeitada. A movimentação ocorreu depois que Vorcaro enfrentou mudanças em seu regime de custódia, incluindo uma rápida passagem por uma cela comum na Superintendência da PF.
Fontes ligadas às investigações informaram que, com a negativa inicial, Vorcaro foi transferido da sala de Estado-Maior para um espaço compartilhado com outros detentos, onde as restrições de contato com advogados são maiores. Dias depois, o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) André Mendonça autorizou seu retorno à sala especial, com banheiro individual e horários determinados para receber sua defesa.
A nova proposta, entregue na última semana, é considerada pelos investigadores mais detalhada que a anterior. O documento inclui mais nomes, datas, informações complementares e anexos inéditos. A primeira versão foi rejeitada por omitir fatos relevantes, inclusive sobre pessoas já identificadas pela PF por meio de aparelhos eletrônicos apreendidos.
Apesar de uma avaliação inicial positiva, a defesa de Vorcaro seguiu apresentando complementações ao material, o que levou a PF a adotar cautela e adiar discussões previstas para esta semana. Os investigadores agora analisam se as novas informações — que citam agentes políticos e autoridades dos Três Poderes — são inéditas e consistentes o suficiente para justificar a abertura da fase formal de negociação da delação.
Entre os pontos que geraram desconforto na primeira tentativa estava a omissão de detalhes sobre supostos pagamentos mensais de R$ 500 mil ao senador Ciro Nogueira (PP), além da proteção a familiares e a minimização de relações com ministros do STF. Vorcaro teria negado, em pré-depoimentos, envolvimento em práticas ilícitas, o que contraria a essência de um acordo de colaboração, segundo especialistas.
Além das novas provas, a PF e a PGR também cobram a devolução de R$ 60 bilhões a vítimas do suposto esquema fraudulento. Para isso, estudam pedir a inclusão do nome de Vorcaro e de pessoas próximas na Difusão Prateada da Interpol, mecanismo internacional que rastreia bens, imóveis e ativos financeiros mantidos no exterior. A medida permitiria ampliar o mapeamento de eventuais ativos adquiridos pelo ex-banqueiro fora do país antes de sua prisão.
A nova proposta de delação ainda passará por verificação e, se aprovada, dependerá da homologação do STF. Investigadores esperam que, desta vez, o acordo seja articulado com rapidez e dentro de um prazo definido, evitando as demoras que marcaram a primeira tentativa.
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