O ativista digital colombiano Franklin Humberto Coral Garrido, conhecido como Beto Coral, foi detido em Phoenix, Arizona, após manifestar-se contra Abelardo de la Espriella, candidato apoiado pelo ex-presidente Donald Trump que venceu as eleições presidenciais na Colômbia.
Coral, de 40 anos e apoiador do atual presidente colombiano Gustavo Petro, foi preso por agentes do Serviço de Imigração e Controle de Alfândega (ICE) na terça-feira (16/6) – no mesmo dia em que o secretário de Estado Marco Rubio assinou um memorando declarando-o passível de deportação.
Motivação política
No documento obtido pelo The New York Times, Rubio justificou a medida afirmando que Coral, que entrou nos EUA em 2015 com visto de turista e tem pedido de asilo pendente, “usou sua presença no país para conduzir atividade política em apoio ao governo Petro” e protestar contra um candidato presidencial.
“Permitir que Coral Garrido permaneça nos Estados Unidos prejudica os interesses da política externa dos EUA nos processos democráticos da Colômbia”, escreveu Rubio, acrescentando que isso sinalizaria que estrangeiros podem “conduzir campanhas de desinformação politicamente motivadas” sem consequências.
Prisão e reações
De acordo com sua ex-companheira, Tatiana Camacho, Coral foi interceptado quando voltava para casa com o filho de 12 anos do casal e o cachorro. Minutos antes, ele havia ligado para o jornalista Daniel Coronell, que divulgou um vídeo do ativista anunciando sua própria detenção em tempo real.
O Departamento de Segurança Interna dos EUA informou que Coral violou as leis de imigração ao ultrapassar em dez anos o prazo de seis meses de seu visto. Ele permanecerá sob custódia do ICE aguardando procedimentos de remoção.
Gimena Sánchez, diretora para os Andes do Washington Office on Latin America, classificou a medida como “uma escalada descarada” do governo Trump. “A mensagem é que você não pode se opor, criticar ou protestar contra alguém que o governo dos EUA considera ser um amigo próximo”, afirmou.
Contexto político
Espriella, ex-advogado criminalista, venceu o segundo turno no domingo (21/6) com 49,65% dos votos contra 48,70% do candidato do partido de Petro, Iván Cepeda – diferença de cerca de 245 mil votos em uma eleição acompanhada internacionalmente.
Dias antes da prisão, Coral esteve em Miami incentivando a diáspora colombiana a não votar em Espriella. No final de maio, ele apresentou queixa ao FBI acusando o advogado de gravar ilegalmente conversas entre os dois e expô-las online, resultando em assédio.
Espriella, que não comentou diretamente a prisão, havia postado nas redes sociais que haveria “boas notícias para colombianos patriotas no exterior”, referindo-se ao vice-secretário de Estado Christopher Landau, conhecido por revogar vistos de estrangeiros considerados ameaças aos interesses dos EUA.
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