Em meio a um racha interno no PL e críticas da ala bolsonarista, a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro usou suas redes sociais neste sábado (4/7) para pregar que a defesa da comunidade surda deve ser uma causa superior a qualquer divisão ideológica ou partidária.
“Apoiar as pessoas com deficiência sempre foi a pauta do meu coração. Ela está acima de qualquer ideologia ou partido”, escreveu Michelle em seu perfil no Instagram. A manifestação pública ocorreu dias depois de ela ter elogiado a Política Nacional de Educação Bilíngue de Surdos (Pnebs), uma iniciativa lançada pelo governo do presidente Lula (PT) por meio do Ministério da Educação (MEC).
O comentário positivo sobre a ação petista gerou desconforto entre apoiadores de seu enteado, o senador Flávio Bolsonaro (PL), que é pré-candidato à Presidência. A própria Michelle já havia relatado ter se sentido “humilhada” e “desrespeitada” em uma conversa telefônica recente com Flávio sobre articulações partidárias, o que aumentou a tensão interna.
Como reação, a base bolsonarista mais radical disparou mensagens com críticas à ex-primeira-dama, inclusive compartilhando uma montagem dela com uma camiseta do PT. Por outro lado, setores governistas ironizaram a situação, tratando-a como “funcionária do mês”.
Cenário da inclusão no país
O movimento de Michelle ocorre em um contexto de grandes desafios para a educação inclusiva no Brasil. Dados do MEC revelam que apenas 12% das redes de ensino no país dispõem de materiais pedagógicos adequados em Libras, e somente 2.501 professores possuem formação continuada na área de educação bilíngue para surdos.
Além disso, o acesso a avaliações em formato VídeoLibras é extremamente restrito, atingindo apenas 1,31% dos estudantes, o que evidencia a necessidade urgente de expansão das políticas públicas de acessibilidade.
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