Republicanos nos EUA acusam Brasil de censura e miram decisões da Justiça contra big techs

Mundo

A crescente tensão entre os poderes judiciários do Brasil e dos Estados Unidos ganhou um novo capítulo nesta semana. Parlamentares republicanos, aliados do ex-presidente Donald Trump, divulgaram um documento judicial brasileiro para acusar o país de praticar censura contra empresas americanas, reacendendo o debate sobre a soberania das decisões judiciais no ambiente digital.

O material foi publicado pelo perfil oficial do Comitê Judiciário da Câmara dos Representantes dos EUA, atualmente presidido pelo deputado Jim Jordan. O documento revela uma ordem de um juiz da Justiça de São Paulo que determina que as plataformas Facebook, Instagram e Telegram identifiquem o proprietário de um perfil e suspendam a conta em até 48 horas. O descumprimento da medida acarretaria uma multa diária de R$ 2 mil, com teto inicial de R$ 30 mil.

No texto da decisão, o magistrado brasileiro argumenta que empresas que operam no Brasil estão sujeitas às leis do país, independentemente de onde seus dados ou informações estejam armazenados. Ele também defende que a suspensão de perfis que possam causar danos a cidadãos brasileiros é uma medida legítima de proteção, respaldada pelo Poder Judiciário.

O caso específico tem origem em uma ação de uma cidadã brasileira que busca a identificação do administrador de uma conta em uma rede social. Além da quebra de sigilo dos dados cadastrais, a Justiça ordenou o bloqueio temporário do perfil.

A divulgação do documento ocorre em um momento de forte atrito diplomático e jurídico. Nos últimos meses, integrantes do governo Trump e legisladores republicanos têm intensificado as críticas a decisões de magistrados brasileiros, como o ministro Alexandre de Moraes, que determinaram a remoção de conteúdos, o bloqueio de perfis e o fornecimento de dados por empresas de tecnologia. Para esses críticos, ordens como a divulgada extrapolam a jurisdição brasileira e ferem a liberdade de expressão.

Por outro lado, autoridades no Brasil sustentam que as plataformas digitais devem se submeter à legislação nacional para o combate a crimes e para a efetivação de decisões judiciais. Até o momento, nem o Conselho Nacional de Justiça (CNJ) nem o tribunal responsável pelo processo se manifestaram oficialmente sobre a repercussão da decisão nos Estados Unidos.

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