O ex-banqueiro Daniel Vorcaro , dono do Banco Master, teria financiado uma rede internacional de prostituição a partir de 2023, com recrutamento de mulheres estrangeiras, incluindo refugiadas que fugiram da guerra na Ucrânia. Segundo reportagem do UOL publicada nesta terça-feira (13), os investimentos identificados na estrutura somam pelo menos R$ 4,3 milhões.
A investigação descrita pela publicação aponta que o esquema envolvia intermediários, uma agência de modelos em São Paulo e eventos privados frequentados por Vorcaro, amigos e autoridades. Mensagens encontradas no celular do ex-banqueiro indicariam que ele participava de decisões sobre a contratação das mulheres, a organização das festas e os gastos relacionados à operação. A reportagem é assinada pelos colunistas Natália Portinari, Cézar Feitoza e Fabio Serapião.
Mensagens citam recrutamento de refugiadas
De acordo com o UOL, conversas entre Vorcaro e o promotor de eventos Diogo Batista mostram discussões sobre mulheres estrangeiras que estavam no Brasil e não tinham condições de retornar aos países de origem.
Em uma das conversas, Batista menciona refugiadas ucranianas e sugere que elas fossem incorporadas à agência. Em outro diálogo, relata que uma das mulheres não tinha para onde ir porque sua cidade estava sendo bombardeada.
As mensagens também indicariam que a situação de vulnerabilidade das estrangeiras era considerada nas decisões sobre permanência no Brasil e participação nos eventos. A reportagem relata que algumas mulheres eram recrutadas para festas privadas e que os intermediários organizavam passagens, hospedagens e pagamentos.
A Polícia Federal investiga a rede. Contudo, a existência de indícios de recrutamento internacional não significa, por si só, que o crime de tráfico de pessoas esteja comprovado, já que a caracterização desse delito depende da apuração das circunstâncias e dos elementos previstos em lei.
Agência de modelos teria sido usada no esquema
Segundo a reportagem, Vorcaro recebeu, em dezembro de 2023, um contrato que previa a compra de 50% da Allure Eventos, agência de modelos que teria sido utilizada para recrutar mulheres para as festas.
O documento indicava o pagamento de R$ 1,5 milhão pela participação. Em janeiro de 2024, Batista informou que o contrato havia sido assinado, e uma primeira parcela de R$ 500 mil teria sido paga dias depois.
A publicação também cita uma transferência de R$ 500 mil feita por uma empresa utilizada por Vorcaro para Felipe Nisti Cataldo, proprietário da agência. Procurado pelo UOL, Nisti afirmou que houve interesse do ex-banqueiro no negócio, mas negou que a negociação tenha sido concluída nos termos descritos nas conversas. Sobre a transferência, disse que precisaria verificar o motivo do pagamento.
As mensagens também apontariam que Vorcaro recorria à agência para selecionar mulheres destinadas a diferentes tipos de evento. Em alguns diálogos, os envolvidos dividiam as participantes em grupos, conforme a finalidade das festas.
Eventos ocorreram no Brasil e no exterior
A reportagem descreve uma estrutura de organização de festas em cidades como São Paulo, Londres, Paris, Roma e Dubai. Segundo as mensagens, o empresário Leo Serrano, dono da SL Consulting, cuidava de parte da logística internacional, incluindo passagens, hotéis e dinheiro para as mulheres.
Em uma festa de Halloween realizada em 2023 na boate Madame Satã, em São Paulo, os interlocutores discutiram a presença de dezenas de mulheres. Outros diálogos tratam de eventos no exterior, inclusive em Londres, onde, conforme a publicação, havia autoridades brasileiras entre os convidados. As conversas também indicariam que Vorcaro autorizava despesas e participava de decisões sobre quais mulheres seriam contratadas ou deixariam de participar das festas.
Reportagem relata festa para jovem de 19 anos
Outro trecho das mensagens analisadas pelo UOL trata da organização de uma festa para uma jovem que completaria 19 anos, em fevereiro de 2024. Nos diálogos, Vorcaro e Batista discutiram a preparação do evento, presentes e despesas.
A publicação descreve o uso de apelidos e comentários depreciativos nas conversas entre os envolvidos. O episódio integra o conjunto de mensagens que, segundo a reportagem, ajuda a dimensionar a relação entre o ex-banqueiro, os intermediários e as mulheres recrutadas para os eventos.
As informações divulgadas pelo UOL se baseiam em mensagens e documentos relacionados à investigação. As suspeitas relatadas ainda devem ser avaliadas pelas autoridades competentes.
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