Irã adverte navios para não desviarem da rota demarcada em Ormuz em meio a escalada de tensões

Mundo

Teerã exige que embarcações sigam corredor próximo ao seu litoral e alerta que qualquer desvio pode agravar instabilidade na região, após novos ataques entre Irã e EUA.

O Irã emitiu um alerta neste domingo (28) a todas as embarcações que transitam pelo Estreito de Ormuz, afirmando que qualquer tentativa de se desviar da rota oficialmente demarcada pelo país “aumentará as tensões” no Oriente Médio. A advertência ocorre em meio a uma nova escalada militar, com bombardeios iranianos contra bases americanas no Kuwait e no Bahrein, em resposta a ataques dos EUA contra território iraniano.

O chanceler iraniano, Abbas Araghchi, fez a declaração em Bagdá, onde cobrou que “nenhuma outra instituição nem qualquer outro país” interfira na administração do estreito. A declaração visa contrapor o anúncio de Omã, que propôs uma rota alternativa próxima ao seu litoral em coordenação com a Organização Marítima Internacional (OMI).

Entenda o contexto

  • O que está em jogo: O Estreito de Ormuz é uma das rotas marítimas mais estratégicas do mundo, por onde passa cerca de 20% do petróleo global. O Irã o bloqueou durante a guerra com Israel e EUA, e agora tenta reafirmar seu controle.
  • O acordo rompido: Um memorando de entendimento assinado em 17 de junho entre Irã e EUA previa a passagem segura de navios, mas ambas as partes se acusam mutuamente de violar o cessar-fogo.
  • A rota em disputa: O Irã exige que os navios usem um corredor próximo ao seu litoral. Omã, porém, sugeriu uma rota alternativa, o que Teerã vê como uma interferência inaceitável.
  • Base legal: A Convenção da ONU sobre o Direito do Mar (CNUDM) garante o direito de “passagem em trânsito” por estreitos internacionais, mas o Irã não ratificou o tratado e não reconhece essa obrigação.

Tensão em números e fatos

EventoDetalhes
Ataques iranianosMísseis e drones contra a base Ali al Salem (Kuwait) e a base da Quinta Frota Naval em Porto Salman (Bahrein), segundo os Guardiões da Revolução.
Resposta dos EUABombardeios a dez alvos militares iranianos, em resposta a ataques contra navios comerciais no estreito.
Vítima civilUm cidadão do Catar morreu a bordo de uma embarcação devido a estilhaços de “operações militares na região”.
Frente libanesaIsrael intensificou bombardeios no sul do Líbano, com a morte de um soldado israelense e de um libanês. O Irã exige a retirada israelense como condição para a paz.

Apesar do cenário belicoso, a imprensa iraniana anunciou a retomada dos voos entre Teerã e Dubai para segunda-feira (29), um sinal de que a crise, embora grave, ainda não interrompeu completamente as atividades civis na região.

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